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A HORA DO BANHO!

Por Ayrton Mugnaini Jr., matéria retirada do portal Yahoo! Brasil


Não espere comentarem que seu cão mudou a cor do pelo ou que ele poderia ser xará do Fedido dos livros "Querido Diário Otário", para não falar no incômodo que a sujeira causa no próprio cão - e ele vai querer resolver do jeito que pode, se coçando, lambendo e mordendo, podendo até se machucar.

Asseio é mais um belo aspecto tanto de saúde quanto de posse responsável. Manter o canino limpo e feliz não é tão complicado, e nem é para ser uma tarefa chata para o bicho e o dono, muito pelo contrário.

A pele canina tem potencial de hidrogênio (o famoso "pH") menor que a humana e, portanto, menor acidez, necessitando de menos banhos que a humana. Quer você mesmo lave o canino ou o envie a uma pet shop para banho profissional, evite banhos em excesso, para não ressecar ou amolecer demais a pele do bicho. Pelo mais curto exige menos banhos; pelo longo bem escovado (bem escovado, ouviu?), idem, e cães ativos que saem mais de casa precisam mais que os sedentários. De modo geral, uma vez por mês é uma boa média, e para cães de pele mais grossa pode bastar um banho a cada quatro meses!

>>Preparo
Comece antes de começar. Explico: antes de começar o primeiro banho, acostume o cão com a ideia de que banho é coisa boa e prazerosa. Se é o primeiro banho do peludo, evite ir ligando o chuveiro logo de saída, para que ele não se assuste e passe a querer tudo menos banho.

Ah, sim, o local: este deve ter, de preferência, uma porta ou algo do tipo, para evitar que o cão fuja do banho ou espalhe água pela casa toda antes de ser bem enxugado. Ao escolher o local onde ele irá se banhar, leve petiscos e brinquedos de que ele gosta e o recompense por bom comportamento.

Muita gente transforma prazer em obrigação. Melhor transformar obrigação em prazer. Se o dia estiver quente, que tal uma ducha com mangueira (além de xampu etc., claro, conforme a listinha mais abaixo) no jardim, terraço ou quintal? Outro detalhe: seja no quintal ou no banheiro, a festa não vai ser só do cão. Vá preparado para se molhar também, especialmente se o peludo molhado der uma daquelas sacudidas bem caninas para se livrar da água.

Se o canino escorregar demais ou mostrar muito medo de entrar em box ou banheira, use um chuveirinho daqueles de mão e coloque um tapetinho de borracha ou toalha no chão da banheira ou do local. Se for cão dos bravos, talvez sejam necessárias focinheira e coleira para ele não resolver se vingar do banho com mordidas. Ah, a coleira: use de náilon ou metal, pois as de couro podem encolher. Se o peludinho é filhote, só deve tomar banho a partir da quinta semana de vida. Se for de pequeno porte, pode até tomar banho na pia - desde que não seja inquieto o suficiente para pular!

Antes de abrir a água, escove bem o pelo do bicho, para evitar que grumos de sujeira se combinem com a água e formem uma massa boa para entupir ralos - e nós dos pelos são bem mais fáceis de remover com o canino ainda seco. Escove também após enxugar o bicho. E enxugue o bicho bem enxuto, para evitar que ele se esfregue molhado em algum lugar e atraia sujeira de novo!

Se o cão tomou "banho" de tinta, piche ou algo assim, primeiro amoleça a "cobertura" com vaselina, óleo vegetal ou óleo mineral, na véspera do banho para valer - mas nada de solventes, detergente, alvejante e similares, que podem ser tóxicas para o bicho. Se usar banheira ou bacia, encha só até a altura dos joelhos do cão e na temperatura morna, não mais quente que o próprio bicho; ao terminar cada enxaguada, esvazie a água e encha de novo até os joelhos do peludo.

>>Material para o banho

Vamos recapitular: xampu (que merece um parágrafo só para ele daqui a pouco), algodão em bolas, esponja, toalhas, tapetinho de borracha ou pano, soro fisiológico (pode ser caseiro, feito com água e pouco sal), um canto seco no local do banho para enxugar o cão, pente, escova, escovinha para as unhas, pinça para remover "visitantes" como pulgas e carrapatos e tesoura para os nós mais górdios, e escova de dentes. Não esqueça os brinquedinhos e petiscos, para que o cão, bicho associativo por excelência, aprenda a encarar o banho como um prazer.

Aqui começa o já famoso parágrafo do xampu. Este deve ser especial para cães, pois, como já dissemos, o pH da pele humana é mais alto que o dos peludos, e produtos para humanos podem causar alergia ou irritação (em todos os sentidos) nos caninos. Leve o bicho ao veterinário para ver qual xampu é o ideal para ele. Na falta de xampu canino, use xampu infantil ou de ervas; xampu para adultos menos peludos só se for suave e em último caso. Agora, tem um detalhe que vale para humanos e também para cães: evite deixar cair xampu nos olhos do bicho, pois "xampu que não irrita os olhos" tem na verdade um componente anestésico que inibe a dor e pode irritar os olhos do mesmo jeito.

Se o peludo for realmente bastante peludo, um condicionador pode ajudar a desembaraçar o pelo. Após lavar, enxágue várias vezes, pois resíduos de xampu ou condicionador incomodam o cão, inclusive fazendo-o se coçar até ferir a pele.

>>Detalhes do banho

Se o canino estiver "hospedando" muitas pulgas, é bom começar a limpá-lo pelo rosto e orelhas, para evitar que as pulgas fujam e invadam as orelhas do "hospedeiro" durante a lavagem.

Lave os olhos e ouvidos do bicho com algodão umedecido em soro fisiológico, e o rosto com uma toalha úmida. Evite jogar água no rosto do canino, para evitar risco de que entre água nos ouvidos, o que pode causar infecções - e normalmente cães não gostam de levar água na cara. Durante o banho, tampe os ouvidos do peludo com algodão - mas evite pedaços muito pequenos que possam sumir canal auditivo adentro, e não se esqueça de tirar o algodão após o banho!

Já falamos aqui sobre óculos escuros para cães. Pois bem, se para você, mesmo não sendo fã de Raul Seixas, óculos escuros lembram colírio, lembre-se também de que colírio para humanos só pode ser usado nos caninos se for suave e em último caso. Nem pense em ir usando colírios mais fortes, indicados para problemas visuais mais graves como catarata. Na falta de colírio, limpe os olhos do bicho com soro fisiológico.

Nunca é demais dar uma limpada no bumbum do cão, desta vez produtos humanos vão bem, como aqueles lencinhos pré-umedecidos para bebês.

>>Após o banho e entre os banhos

Acabado o banho, enxugue o cão imediatamente. Um secador de cabelos será bem-vindo, desde que não ligado em temperatura quente demais e o aparelho não irrite ou assuste demais o bicho. Cumprimente-o se ele se comportar bem - mas é claro que ele vai, pois estará mais feliz, livre da sujeira.

Entre um banho molhado e outro, nada como "banhos secos" diários. O ideal é dar uma boa escovada diária no peludo, que funciona também como um carinho para ele e relaxamento para o escovador, que pode até "conversar" com o cão, exatamente como barbeiros e cabeleireiras fazem com clientes. Mais ideal ainda é fazer isso fora de casa ou com jornais sob o cão para recolher terra, poeira, pêlos soltos e o que mais aparecer.

Como escolher um treinador?

Existem vários fatores que podem e devem influenciar a sua escolha por este ou aquele treinador profissional. Alguns destes fatores são puramente objetivos, outros subjetivos. O importante é considerar o conjunto que mais se aproxima da sua necessidade e de suas expectativas.

Alguns pontos que podem ajudar na hora de escolher um treinador são:

» Quanto tempo ele já está nesta profissão?
» Onde o treinador aprendeu a treinar cachorros? Ele é autodidata ou tem formação específica?
» Aprendeu a treinar, ou já trabalhou com treinadores renomados?
» Ele fez cursos de aperfeiçoamento nos últimos tempos e está familiarizado com técnicas modernas de treinamento?
» Por que o treinador escolheu esta profissão? Ele vive exclusivamente dela?
» O treinador gosta de cães? Gosta de pessoas?
» Ele parece paciente e disposto a tirar todas as suas dúvidas?
» Ele parece preocupado em ajudar particularmente o seu caso, ou o relacionamento dele é padrão?
» Ele é fácil de ser encontrado em caso de emergência e tem boa vontade em atendê-lo?
» Ele cumpre horários e compromissos?
» Ele pode oferecer referências?
» Ele aceita que você participe ativamente dos treinamentos, fazendo perguntas acompanhando as sessões de treinamento e "colocando-a-mão-na-massa"?
» Ele reconhece particularidades no temperamento do seu cachorro(muito dominante, muito tímido, sensível, ou cabeça-dura) e adapta as técnicas empregadas de forma a atender a estas particularidades?
» Ele permite que você assista ou participe de uma sessão de treinamento, sem compromisso, antes de você tomar sua decisão final?
» Qual é a finalidade do treinamento oferecido? Treinar o seu cão para competições de obediência ou provas de trabalho? Guarda, ataque e defesa de propriedades e pessoas? Regras de bom comportamento para um cão de família(sem intenção de competir)? Resolver problemas específicos de comportamento do seu cachorro?
» Você se sente a vontade com o treinador?
» E o mais importante de todos: Depois de algumas sessões de treinamento, seu cachorro parece feliz em ver o treinador?

Ensinando Xixi e Cocô no Lugar Certo

Eu estava prestes a escrever um texto sobre como ensinar os cães a fazer "xixi" e "cocô" no lugar certo, quando me deparei com este texto. Estava adiando a idéia por ser um texto muito longo, com muitos detalhes... Sendo assim, vou me utilizar deste texto, já que ele está muito próximo ao que eu escreveria.


Ensinando Xixi e Cocô no Lugar Certo

Por Sandra Régia
Site Lord Cão.

Ensinar o cachorro a fazer xixi e cocô no lugar certo é uma das preocupações mais frequentes dos donos de cães. Entretanto, o que muita gente não sabe é que existem diversos motivos para o cão não fazer as necessidades no local adequado. E, mais importante ainda, a maneira correta de treinar o peludo depende do que está causando o problema.

Antes de mais nada é preciso entender que, para ter sucesso no treinamento de cães, é essencial saber como funciona a mente deles. O aprendizado dos cães é baseado em associações, feitas por meio de tentativas, erros e acertos. Uma associação que gera um resultado positivo e prazeroso para o cachorro fica fixada de forma intensa na memória, e tende a ser repetida até se tornar um hábito. Por exemplo, se ele ganhar um petisco todas as vezes que fizer xixi no lugar certo, vai tentar acertar cada vez mais. De forma contrária, uma associação que gera um resultado negativo para o cachorro tende a ser abandonada e esquecida. É por isso que o treinamento com recompensa (petisco, "muito bem", brinquedo ou carinho) é muito mais produtivo do que o treinamento com punição.

É importante frisar que a associação só acontece como desejado se a causa e o efeito distarem entre si de no máximo poucos segundos. Ou seja, só adianta recompensar ou reclamar com o cão durante ou logo imediatamente após o ato. Se passar mais tempo, o cachorro fará a associação (positiva ou negativa) com o próximo evento qualquer que vier a seguir. Em outras palavras, não adianta nada, absolutamente nada o dono brigar com o cachorro quando chega em casa e encontra um xixi no lugar errado. O cachorro vai associar a bronca com a chegada do dono e não com o xixi no tapete.



Nesse ponto do texto algumas pessoas podem estar pensando: "O meu cachorro sabe quando agiu errado, pois ele faz cara de culpa". Ou então: "O meu cachorro faz isso de propósito, para se vingar de mim". Nenhuma dessas afirmações é verdade. Em primeiro lugar porque os cães não têm noção de certo e errado, eles fazem o que fazem baseados em seus instintos. E em segundo lugar porque as emoções dos cães são muito mais básicas do que as nossas. Sendo assim, é correto afirmar que os cães sentem medo, dor (física ou emocional), lealdade e respeito, por exemplo. Mas não é certo dizer que eles demonstram sentimentos complexos (e na maioria das vezes negativos), como ciúme, culpa e vingança, tão típicos dos humanos.

O que é interpretado como culpa, na verdade é submissão, o cão simplesmente reage àquela postura do dono. O cachorro percebe quando o dono está com raiva e sabe que isso significa uma baita bronca, então tenta (inutilmente, tadinho) aplacar a ira do dono com uma postura submissa. Os cães são incrivelmente inteligentes, da maneira deles (é complicado comparar inteligências entre espécies diferentes). Eles aprendem a "ler" os humanos muito melhor do que nós mesmos sabemos, porque eles são bastante observadores. Diversos pequenos sinais que fazemos automaticamente, como franzir a testa e cerrar os punhos quando estamos com raiva, são um letreiro em neon para os cães. Eles aprendem em pouco tempo a associar os nossos gestos, posturas corporais e expressões faciais com as atitudes que tomamos em seguida, e simplesmente reagem de acordo.

De forma similar, a tão erroneamente famosa vingança é na realidade estresse ou dominância. As pessoas tendem a interpretar as reações dos bichos com base nos comportamentos dos humanos, e isso ocasiona uma abordagem completamente equivocada para o problema, causando frustração e desgastando o relacionamento entre o dono e o animal. Aquele xixi fora do lugar pode indicar que o peludo tem Ansiedade de Separação ou até que ele se acha o dono do pedaço. Sendo assim, vamos subdividir o assunto "xixi e cocô" em etapas e trabalhar cada uma delas individualmente, logo a seguir.

- XIXI DE FILHOTE

Um filhote de cachorro, assim como um bebê humano, não consegue segurar o xixi na bexiga e nem o cocô no intestino. Quando necessário, o organismo simplesmente libera o que tem de ser liberado, na hora que for. Para alívio dos donos, um filhote aprende muito mais rápido do que um bebê. Quando o filhote tem em média 6 meses de idade, ele normalmente já tem controle sobre as funções da bexiga e do intestino, ou seja, ele já percebe quando está "apertado" e precisando ir ao banheiro. Antes disso, alternadamente acertar e errar o local do xixi e do cocô é comum e faz parte do processo natural de aprendizagem para um filhote.

A maneira mais rápida de fazer com que um filhote guarde direitinho na memória onde é o local correto para fazer as necessidades é estar com ele o tempo todo. Essa é a regra mais importante quando se tem um filhote em casa: vigilância constante. Assim é possível evitar objetos roídos e xixis nos locais errados. Ninguém deixa uma criança pequena sozinha sem supervisão, deixa? Da mesma forma, um filhote nunca deveria ficar sozinho em locais onde ele possa se machucar e/ou estragar alguma coisa.

Quando o pequeno não puder ser vigiado por qualquer intervalo de tempo que seja, ele deverá ser colocado numa área segura (à prova de filhotes), ventilada, cercada e com boa parte do piso forrada com o mesmo material que o filhote deverá aprender a usar como banheiro (jornal, tapete higiênico, areia sanitária, etc.). Nessa área, o peludo deve ter sombra, proteção contra o vento, água limpa, uma caminha, muitos brinquedos e algumas coisas para roer. À medida em que ele for crescendo, o espaço reservado para o banheiro deverá ser reduzido aos poucos até um limite adequado ao porte do cão (é melhor sobrar do que faltar). O peludo nunca deve levar bronca nem ficar de castigo nessa área.

Se o dono (ou alguém da casa) se mantiver sempre atento a tudo o que o filhote estiver fazendo, ele vai poder levar o pequeno ao lugar adequado logo quando começar a "dança" típica do xixi e cocô. A não ser quando estão realmente muito "apertados", os cães sempre são umas voltinhas e umas cheiradinhas no chão antes de fazer as necessidades. Prestando atenção a esses sinais, o dono poderá levar o filhote a tempo para o local correto, lembrando de recompensá-lo pelo acerto com um petisco e um cafuné.

Além da "dança", outra dica é que os cães possuem um relógio biológico muito preciso e, sendo animais de rotina, preferem fazer tudo sempre nos mesmos horários. Os filhotes têm a bexiga pequenininha e, portanto, a quantidade de xixi que cabe lá dentro é mínima, por isso eles precisam se aliviar mais vezes do que os adultos. Mas, como regra geral, os cães fazem as necessidades num prazo de até 90 minutos depois de acordar, depois de comer e depois de se exercitar/brincar. Esses são os horários mais críticos, nos quais a vigilância deve ser rigorosa.

Vale lembrar mais uma vez que o importante é focar nos acertos e não nos erros. Se (e somente se) o dono pegar o filhote no flagra fazendo no lugar errado, ele pode falar "não, aí não", pegar o pequeno no colo e levá-lo para o local correto. Nesse local, o peludo deve então ser estimulado a continuar de onde parou, por meio de um tom de voz suave. Caso saia nem que seja um tiquinho de xixi ou de cocô, o filhote deve ser recompensado com muita festa.

- XIXI DE ESTRESSE

O mesmo problema do xixi de filhote pode acontecer também em cães mais velhos que já tinham até aprendido a fazer as necessidades no local correto, mas que de uma hora para outra estão passando por um estresse muito grande em suas vidas. Exemplos típicos são: mudança de casa, chegada de um outro animal, chegada de um bebê, ausência prolongada de um dos donos, etc.

Dependendo do cão, até a mais suave mudança na rotina pode ser suficiente para desencadear um retrocesso no aprendizado. A forma de se lidar com isso é retomando o treinamento básico e voltando a supervisionar o cachorro como se ele fosse um filhote. Eliminar ou pelo menos reduzir ao máximo a causa do estresse também ajuda. Se o dono investir no treinamento, normalmente o peludo não demora muito para retornar aos seus hábitos normais.

- XIXI DE ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO

Esse é um outro tipo de xixi também causado por estresse. A diferença fundamental é que, nesse caso, o estresse não é uma situação isolada, e sim um fato constante na vida do pobre cachorro. Um peludo que acompanha o dono por todos os cantos da casa, como uma sombra, e que vive querendo colo o tempo todo, sofre muito quando precisa ficar sozinho. Ao contrário do que muita gente pensa, viver grudado nos donos não é nada saudável para o bicho, que pode terminar desenvolvendo Ansiedade de Separação.

Os cachorros que apresentam esse problema sofrem horrores sempre que os donos precisam se ausentar, seja por um dia inteiro ou por apenas alguns minutos (por não terem noção de tempo, eles não percebem a diferença). Os sintomas variam desde pequenos choramingos a verdadeiros escândalos sonoros, por vezes acompanhados de destruição da casa ou de si mesmos (lamber-se sem parar até causar feridas) e de muitos xixis nos lugares errados.

Um peludo com Ansiedade de Separação tem certeza absoluta de que o apocalipse está próximo e que se ele não fizer alguma coisa, e logo, o dono nunca mais vai conseguir resgatá-lo naquele labirinto de cômodos sem fim. Com esse intuito em mente, o coitado procura os lugares que sabe que o dono costuma freqüentar bastante, como o quarto ou a sala, torcendo para encontrar lá um xixi-recado do dono dizendo "volto já". Como não encontra nada, o peludo resolve deixar o seu próprio xixi-recado dizendo "não esqueça de mim". Então ele segue fazendo xixi no maior número de lugares possível, na esperança de que o dono consiga encontrá-lo assim que voltar.

A maneira de abordar esse problema é ensinando ao cachorro que às vezes ele vai precisar ficar sozinho, e que o mundo não vai se acabar por causa disso. O dono deve começar deixando o peludo sozinho por alguns poucos minutos e ir aumentando gradativamente até chegar em horas, mas sempre disponibilizando muitos brinquedos e ossos para entreter o cachorro. Jogos do tipo "esconder o petisco" são excelentes e o dono pode também guardar alguns brinquedos especiais para entregar somente nessas ocasiões. O treinamento deve ter início com o dono ainda em casa, mas em hipótese alguma o cachorro deve receber atenção se começar a fazer escândalo.

- XIXI DE SUBMISSÃO

Esse tipo de problema é comum em cães jovens e/ou inseguros, e se apresenta como aquele xixi que o cachorro faz quando vê alguém de quem gosta e respeita muito. Às vezes a demonstração é de forma eufórica, com excesso de entusiasmo. Às vezes é bastante comedida, com excesso de formalidade. De um jeito ou de outro, esse tipo de xixi é um gesto de submissão muito cordial no mundo dos cães, uma comprovação dos bons modos ensinados na escola de etiqueta canina. Em outras palavras, é um sinal de que o cachorro aceita a liderança da pessoa em questão.

Normalmente esse tipo de comportamento vai diminuindo aos poucos até acabar por completo, à medida que o peludo vai crescendo e sentindo mais confiança em si mesmo e no novo ambiente. A melhor maneira de lidar com isso é simplesmente ignorando o fato, sem brigar e também sem tentar confortar o cachorro dizendo coisas do tipo "está tudo bem".

Os cães muito inseguros às vezes sentem medo quando alguém se aproxima deles, e o medo é uma das causas do xixi de submissão. Para evitar isso, o ideal é deixar o peludo no cantinho dele sossegado e esperar que ele próprio tome a iniciativa de se aproximar. Quando isso acontecer, a pessoa não deve fazer movimentos bruscos, deve se abaixar para ficar menos intimidadora, não deve olhar a cachorro diretamente nos olhos e deve procurar falar com ele num tom de voz calmo.

Assim que o peludo tiver tomado as vacinas e estiver liberado pelo veterinário para sair na rua, é fundamental começar a passear com ele, inicialmente em locais bem calmos, para que ele possa conhecer novos lugares, pessoas de todos os tipos, outros animais, sons, cheiros e superfícies os mais variados possíveis. Isso é um excelente exercício para aumentar a autoconfiança, além de ser extremamente necessário para a saúde física e mental de todo e qualquer cachorro.

- XIXI DE MARCAÇÃO DE TERRITÓRIO

Quando um cachorro entra na adolescência, por volta dos 8 meses de idade, ele pode começar a desafiar os donos e a infringir as regras, exatamente como fazem alguns adolescentes humanos. E não há forma melhor de se rebelar do que desrespeitar a hierarquia vigente, correto? Para um cão isso significa, dentre outras coisas, marcar território dentro de casa, ou seja, fazer xixi e cocô em cantos estratégicos e bem visíveis. Funciona como aquela pichação do tipo "eu estive aqui".

A adolescência é marcada pelo afloramento dos hormônios e também coincide com a época em que o peludo começa a fazer xixi com a pata levantada. Os cães que marcam território têm a habilidade de guardar uma parcela do xixi no "tanque" reserva. O xixi de necessidade fisiológica é diferente do xixi de marcação de território. O de necessidade fisiológica é liberado de uma vez só, com intervalos grandes entre um e outro. O de marcação de território é liberado muitas vezes, com intervalos curtos entre um e outro, objetivando abranger o maior número de lugares possível. A marcação de território é mais comum nos machos, mas as fêmeas também podem apresentar esse comportamento, algumas até de pata levantada, igualzinho aos machos.

Para resolver esse problema, é preciso antes de tudo que o dono mostre quem é que manda na casa (claro que não é o cachorro!). O peludo precisa entender que só quem tem direito de marcar território dentro de casa é o dono, pois é o território dele. Isso é obtido através de um conjunto de fatores, dentre eles treinar comandos de obediência (senta, deita, fica, junto, etc.), para que o cão possa obedecer sempre antes de ganhar qualquer coisa (comida, carinho, passeio, etc.).

Outro ponto importante é que tudo, absolutamente tudo o que diz respeito aos humanos precisa obedecer às três regrinhas básicas da hierarquia: "Eu ganho primeiro", "Eu vou na frente" e "Eu fico mais alto". Em outras palavras, significa que sempre os humanos comem primeiro, andam na frente, sentam e deitam em posições mais altas. Dividir esses privilégios com o cachorro significa dividir o poder da liderança também, incluindo todas as conseqüências decorrentes disso.

Uma alternativa que pode ajudar bastante no problema da marcação de território é a castração. Ao contrário do que muitos pensam, essa cirurgia traz inúmeros benefícios para a saúde e para o comportamento do cachorro, tanto para o macho quanto para a fêmea. Os animais castrados têm menos chances de desenvolver certos tipos de câncer, costumam ser menos agressivos, brigam menos com outros cães e vivem mais.

- XIXI DE INCONTINÊNCIA URINÁRIA

Da mesma forma que acontece com nós humanos, alguns cães quando chegam na terceira idade passam a sofrer de incontinência urinária. Nesse caso não há muito o que fazer, pois não é culpa do cachorro nem é um problema para o qual ele possa ser treinado. É preciso ter muita paciência com o peludo e é necessário aceitar que a incontinência pode fazer parte do processo natural de envelhecimento do companheiro canino. O recomendável é tornar a vida do cão a mais agradável possível, sempre disponibilizando uma superfície absorvente para ele dormir em cima.

Outra causa para a incontinência, apesar de rara, pode acontecer em certas fêmeas castradas, caso haja alguma aderência na parede da bexiga. À critério do veterinário, essas fêmeas podem ser medicadas com hormônios para amenizar o problema, mas em geral a maneira de lidar com o assunto é a mesma que no caso da incontinência por idade.

- XIXI POR OUTROS MOTIVOS

Quando o cachorro começa a fazer xixi ou coco no lugar errado de uma hora para outra (o fator "de uma hora para outra" é muito importante para avaliar corretamente a situação), e o problema não se enquadra em nenhuma das opções acima, pode ser então um sinal de que alguma coisa está errada. Um cachorro que pára de fazer as necessidades também merece atenção. Um dos primeiros sintomas de problemas de saúde é uma mudança brusca no comportamento rotineiro. Nesses casos é importante levar o peludo o quanto antes ao veterinário, para que sejam feitos os exames necessários.

Alguns outros motivos podem vir a dificultar muito o treinamento de xixi e coco. Quando o filhote é retirado muito cedo da companhia da mãe e dos irmãos, por exemplo. Para aprender as regras caninas, incluindo as noções básicas de higiene, um filhote precisa permanecer na ninhada até completar pelo menos 7 ou 8 semanas de vida, ou seja, 50 a 60 dias. Outro exemplo é quando a própria cadela não aprendeu as regras e, portanto, não sabe passá-las para os filhotes. Por isso é tão importante ver as condições de higiene nas quais os filhotes nasceram e foram criados. Além desses aspectos, vale mencionar também que certos indivíduos simplesmente demoram mais do que outras para aprender onde fica o banheiro.

"Cachorro quente" - 40 graus e agora?


Nesta primeira semana de fevereiro, fiz uma pequena entrevista na Rádio Gaúcha, no programa Brasil na Madrugada com a Sara Bodowsky, onde falamos sobre o desconforto que o calor que está fazendo causa nos cães. Aproveito então para colocar um material sobre esse assunto.

Nos últimos dias, temos passado por temperaturas  muito altas e, se para nós é bastante complicado, para os nossos amigos caninos é ainda pior. Mesmo quando eles são de pelo curto, sofrem com o calor. Nós temos uma grande área para a sudorese, suamos pela pele.Os nossos amigos não dispõem dessa possibilidade. Eles precisam abrir a boca e por a língua para fora para poder fazer essa troca de temperatura.
Assim, devemos ter alguns cuidados que muitas vezes passam despercebidos.


  • Oferecer água fresca várias vezes ao dia;
  • Certificar-se de que o pote de água não está no sol;
  • Observar se o cão, quando fica no pátio, tem uma área com sombra para ele poder deitar (que não seja a casinha dele);
  • Caso haja um local mais fresco, permita que o cão entre em áreas que antes eram proibidas pra ele.
  • Oferecer uma vasilha baixa e larga para o cão banhar-se,  pode ser uma bacia ou piscinas de bebê (não é para jogar um balde com água no cão);
  • Evite dar banho com shampoo e sabão. Apenas borrifar água sobre o cão;
  • Ao sair para passear, opte pelos horários onde o sol esteja mais fraco (pela manhã ou à noite). Verifique a temperatura do piso para não queimar as patas do cão. Ofereça água durante o passeio;
  • A alimentação também muda. O cão deixa de comer durante o dia e opta pelo horário noturno. Algumas vezes pulando um ou dois dias sem se alimentar.
  • Não deixe o cão dentro de carros, mesmo com os vidros abertos. Eles podem passar mal.
  • Em casa, pode ser usado ventilador ou ar condicionado para diminuir a temperatura do cão. Detalhe! Desligue o ar condicionado um tempo antes do cão sair para rua.
  • Se possível, faça uma tosa no cão, isso vai diminuir um pouco o calor; 
  • Também é possível usar protetor solar nas orelhas e focinhos dos cães, principalmente em cães brancos (procure a orientação do seu veterinário).


O cão naturalmente vai ficar prostrado durante o calor. A língua para fora e a respiração ofegante serão uma constante nessa situação.

Roberto Canti
Cinólogo.

 

Escolhendo o novo amigo

É bastante comum as pessoas escolherem um filhote de cão principalmente pela aparência. Seja por sua beleza ou por outros aspectos, tais como o tamanho e o tipo de pelagem.
Além do fator físico, porém, o temperamento do nosso futuro animal de estimação merece uma atenção especial.
O seu nível de atividade e a maneira de demostrar dominância devem ser adequados á dinâmica do ambiente em que viverá. Afinal, um convívio feliz por muitos anos, depende de um bom entrosamento entre ambas as partes.
Nas ninhadas é comum haver diferenças comportamentais entre os filhotes.
Existem testes que podem ser aplicados para reconhecer esses comportamentos futuros.